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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ela



Ela me agarra pela manhã e me prende na cama,
e em seus braços eu poderia ficar até que outro dia chegasse.

Ela me faz tomar duas xícaras de café com leite,
só para me agradar, me dar mais tempo para desfrutá-la.

As vezes ela me persegue durante a tarde,
me acompanha até em momentos íntimos.

Tem dias que ela me força a ceder todas as suas vontades,
não sei se a amo demais ou a quero fora da minha vida.

Ela me adora. Ela te adora. Geralmente vem as terças.
Não há como escapar da preguiça!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Frank Fellita

" - Sinto muito não poder ajudá-lo - dissera o pai de Mack em iídiche*, chorando. - Trata-se de um homem, de uma criatura feita à imagem de Deus, com uma mente e um espírito que poderiam ter sido a salvação do mundo. Sinto muito não poder ajudá-lo.

Um sorriso humilde franziu os lábios de Brice Mack quando ele pensou em todas as avenidas que Reggie Brenningan - aquela criatura feita à imagem de Deus - abrira para ele. Então, lembrando-se do que lhe dissera Elliot Hoover, parou de sorrir. A máquina [do mundo] continua a funcionar por si mesma - posicionando forças, criando acontecimentos, trazendo pessoas..."


(As duas vidas de Audrey Rose)
*Iídiche: conjunto de dialeto judeu-alemão ou judeu-polaco.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Felicidade a la Jabor

A felicidade é uma obrigação de mercado


"Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais 'comercial'. A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta 'felicidade' infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução, como uma 'disneylândia' cercada de homens-bomba.

A felicidade hoje é 'não' ver. Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os menininhos-malabaristas no sinal, não ter coração.

[...]

A ideia de felicidade é ser desejado. Felicidade é ser consumido, é entrar num circuito comercial de sorrisos e festas e virar um objeto de consumo. [...]

Bem - dirão vocês - resta-nos o amor... Mas, onde anda hoje em dia, esta pulsão chamada 'amor'?

O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar, não tem mais a família nuclear para se abrigar. O amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarradao, sem rumo. Não temos mais músicas românticas, nem o lento perder-se dentro de 'olhos de ressaca', nem o formicida com guaraná. Mas, mesmo assim, continuaremos ansiando por uma felicidade impalpável.

Uma das marcas do século 21 é o fim da crença na plenitude, seja no sexo, no amor e na política.

Se isso é um bem ou um mal, não sei. Mas é inevitável. Temos de parar de sofrer romanticamente porque definhou o antigo amor... No entanto, continuamos - amantes ou filósofos - a sonhar como uma volta ao passado que julgávamos que seria harmônico. Temos a nostalgia lírica por alguma coisa que pode voltar atrás. Não volta. Nada volta atrás.

[...] O amor hoje é o cultivo da 'intensidade' contra a 'eternidade'. O amor para ser eterno hoje em dia, paga o preço de ficar irrealizado. [...] Há que perder esperanças antigas e talvez celebrar um sonho mais êfemero. É o fim do 'happy end', pois na verdade tudo acaba mal na vida. Estamos diante do fim da insuportável felicidade obrigatória. Em tudo.

[...] Usamos uma máscara sorridentes, um disfarce para nos proteger desse abismo. Mas esse abismo é também nossa salvação. A aceitação do incompleto é um chamado à vida.

Temos de ser felizes sem esperança. E este artigo não é pessimista..."

(Arnaldo Jabor, escritor, jornalista e cineasta)


Não sei o que ele é mais, se escritor, jornalista ou cineasta. Apontaria para escritor e cinasta. Um professor meu da faculdade diria que não há como ser jornalista e literário ao mesmo tempo, são duas coisas distintas. Até a metade do artigo, fui tragada pelas palavras de Jabor, caindo em suas armadilhas linguísticas e acreditando, quase reverenciando suas palavras.

Entretanto, só quem tem um hábito continuo de leitura e escrita consegue ver através do texto, consegue identificar o escritor que acredita no que diz e tenta convencer o leitor, daquele que "sabe que suas palavras são verdadeiras", não convence, não explica. Dita, ordena, conta. Ah, e quão perdido está quem acredita em tudo!

Também não sei o que me incomoda mais, a repetição de palavras ou o pessimismo. Além, é claro, da contradição. Pois começa o texto dizendo que "Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado" e termina alegando que "Estamos diante do fim da insuportável felicidade obrigatória". Talvez eu tenha me perdido em seu raciocínio, entrementes, creio que até mesmo ele se perdeu um pouco.

É evidente que ninguém mais morre de amor, que a plenitude e a crença na eternidade está morrendo. Isto é resultado a evolução, uma vez que os seres humanos buscam, desde os primórdios, a realidade, respostas racionais para cada elemento que cerca suas vidas. Contudo, o que dá-lhe direito de dizer que "tudo acaba mal na vida"?

Viver, sonhar, sorrir, amar. Tudo depende de como a vida é encarada e de como se aprendeu a lidar com problemas. Aprendi a nunca desistir. Se não é possivel ser feliz sempre, ao menos é possivel encontrar a felicidade de novo, de novo e de novo. Não importa o quanto o mundo tenha mudado, porque cada Era apresenta o seu desafio e apenas o "novo" pode vencê-lo.

Em apenas uma coisa concordo com Jabor: "Nada volta atrás".

sábado, 31 de julho de 2010

O amor é uma droga

Hoje li no jornal um artigo bem interessante de Joaquim Zailton B. Motta, psiquiatra e sexólogo, falando sobre a pesquisa de Helen E. Fisher, antropóloga canadense, sobre os aspectos biológicos do amor não correspondido.
"Todos os participantes tiveram altas pontuações em um questionário que mediu a intensidade dos afetos românticos. E também disseram que os pensamentos dedicados à pessoa amada ocupavam a mente pelo menos 85% do tempo em que permaneciam acordados. Os cientistas descobriram que, enquanto olham para as fotografias dos "ex", os homens e mulheres rejeitados têm ativadas as regiões cerebrais associadas com recompensa, ansiedade de dependência, controle das emoções, dor física e angústia.
[...] É possivel que essa resposta à rejeição romântica possa ter uma base antropológica: os circuitos cerebrais do amor desenvolveram-se há milhôes de anos para que os nossos antepassados concentrassem a energia do acasalamento em apenas uma pessoa por um dado tempo. Quando rejeitada no amor, é como se a pessoa perdesse o maior prêmio da vida, ou seja, um parceiro para o acasalamento. Então, o sistema é ativado para tentar a reconquista."
Interessante como para tudo na vida há uma explicação histórica. É assim com as ações humanas, tudo o que determinado individuo realiza é recorrente do que aprendeu e de como aprendeu. Do que viu, ouviu e sentiu. Assim sendo, também se pode dizer que as pessoas influenciam direta ou indiretamente na vida umas das outras, tendo em vista que a educação e os costumes é derivado da sociedade ao qual estão incluidas.
Outro ponto que me chamou atenção foi a existência do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), criado pelo próprio Dr. Joaquim Zailton B. Motta. O grupo realiza encontros toda segunda-feira no Tênis Clube, às 20hrs, com eventos, oficinas, palestras, debates abertos ao público, em que é proposta a reflexão sobre a teoria e a prática do amor em várias das suas dimensões, compartilhando temas, idéias, perspectivas. Quem quiser é só comparecer, não é necessário fazer inscrição.
Bom, como diria meu querido ex professor Fábio de biologia, não estou ganhando nem um tostão para fazer a propaganda então, se quiserem mais informações, acessem: http://www.blove.med.br/
Que o animal se manifeste e dê a vocês um ótimo dia do orgasmo!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Brisingr - Christopher Paoline


"Ele inclinou a cabeça e se aproximou para decifrar os símbolos que ela desenhara. Estava escrito: O trapaceiro, o charadista, o guardião do equilíbrio, o de muitas faces que encontra a vida na morte e que não teme nenhum mal; o que caminha através das portas.

- O que a levou a escrever isso?

- A idéia de que muitas coisas não são o que aparentam"

terça-feira, 27 de julho de 2010

Herança

As pessoas sempre me disseram que mulheres nunca devem deixar homens seguros de seu amor. Talvez eu não saiba amar. Porque quando amo, é intensamente. Não sei amar aos poucos, aos pedaços. Cada abraço, cada beijo, cada noite de amor carrega a essência do que sou e toda minha paixão.

Quando tenho amor, meu mundo possui mais estrelas do que o céu; e no entanto, me aconselharam a esconder isso. Lamento, falhei. Pois não sei ser feliz sozinha, quero que todos ao meu redor sejam felizes e jamais hesitarei em sorrir para alguém e encontrar caminhos para ser feliz.

Sou insana, estou alto nas nuvens. Disse no começo que não teria medo de quedas e alturas. Pois é. Já despenquei. O chão estava tão perto e foi tão desesperador... Rezei aos deuses, meu mundo acabaria? As luzes finalmente seriam acesas para mim?

Foram. A realidade é cruel quando pega de surpresa, porém, por ironia, eu não estava surpresa. O medo dissipou a minha nuvem, me soprou para longe, para baixo. Ali estava o meu precipício, a minha dor. Pude vê-la como é e como foi, tão igual apesar das circunstâncias serem diferentes.

Eu não aceitei sofrer, escolhi o caminho mais difícil, quando vi um pássaro voar livre no céu e percebi que compartilho sua liberdade para seguir caminhos de escolha própria, para ignorar o que as pessoas dizem que é certo. Afinal o certo para mim nunca foi como para os outros, sempre fui diferente ao caminhar e ao lidar com problemas. O coração é meu e decidi que posso protege-lo como quiser.

Mais uma vez me entreguei ao amor, viver é fazer loucuras por ele e não tenho medo algum de me arrepender, simplesmente por ser o medo a diferença entre o que pode dar certo e o que pode dar errado. Quando se tem medo, não se luta como se deve lutar, porque se olha apenas para o que pode perder e não para o que pode ganhar.

Talvez eu não saiba amar, contudo, amo.
Sou feliz assim e não aceito a herança de insistir em esperar que a vida aconteça.



Aprendo rápido, não se preocupem, tenho um plano.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

You


Quando eu era mais nova
Vi meu próprio coração se partir
E tive que remontá-lo sozinha
Ele apenas assistiu, riu.

E esse foi o dia que eu prometi
Nunca acreditar novamente no amor
Mas lindo, você é a minha exceção

Talvez eu saiba em algum lugar no fundo de minha alma
Que o amor nunca dura
E nós temos que arranjar outros meios de seguir em frente sozinhos
ou manter o semblante impassível

E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
Porque nada disso nunca valeu o risco
Mas você é a única exceção

E agora eu sei exatamente o que fazer
É bom recomeçar, poder contar com você
Pois eu me lembro de tudo amor, eu estava lá também

Estava lá quando aprendemos que era possivel juntar amor, liberdade e ser feliz
Quando sutilmente percebemos que pertenciamos um ao outro
Quando todas as regras que eu tinha, você quebrou
E eu me apaixonei por cada dia que vivemos

Eu me agarro firme à realidade
Mas não posso deixar de ver o que está aqui diante de mim
Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião

E disso os loucos sabem
Só os loucos sabem
Você é a unica exceção

Estavamos nas nuvens e quase caimos no chão
De repente eu não pude ver o brilho dos seus olhos
Senti a distancia de sua mão
Mas agora eu sei exatamente o que fazer

Estou andando no sol amor,
não tenho para onde correr
Mas vou encontrar um caminho por você
Porque você é minha única exceção
[intertextualidade de: the only exception, só os loucos sabem e walking in the sun]