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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Copidesque

Vou falar um pouco sobre jornalismo. Vou falar um pouco sobre o jornalismo do século XIX.

O copidesque é o filtro do jornalismo impresso. Tem a função de fazer uma verificação em toda matéria, é como um recurso editorial para a unificação da linguagem utilizada, e para salvar pequenos deslizes gramaticais.
Ele é também uma forma da instituição jornalística exercer vigilância sobre o que se publica ou divulga no anonimato, dificultando as escapadas que os jornalistas dão para, sutilmente, expor sua opinião sobre o assunto, contudo, ainda há esperanças de passar despercebida!

Sobre isso, Nelson Rodrigues, jornalista e escritor brasileiro (1912-1980), deu um depoimento manifestando a sua rejeição ao copidesque:

"Sou da imprensa anterior ao copidesque. (...) Na redação não havia nada da aridez atual... (...) Havia uma volúpia autoral inenarrável. E nenhum estilo era profanado por uma emenda. Jamais. Durante várias gerações foi assim e sempre assim. De repente, explodiu o copidesque.
Qualquer um na redação, seja repórter de setor ou editorialista, tem uma sagrada vaidade estilística. E o copidesque não respeitava ninguém. (...) Sim, o copidesque instalou-se como a figura demoníaca da redação. (...) Aliás, devo dizer que o copidesque e o idiota da objetividade são do mesmo gênero e um explica o outro (...) E o pior é que, pouco a pouco, o copidesque acabou fazendo do leitor um outro idiota da objetividade. A aridez de um transmite ao outro. Eu me pergunto se, um dia, não seremos nós cem milhões de copidesque. Cem milhões de impotentes de sentimentos."

Isso quase sufocou minha alma. Imaginar alguém metendo o bedelho no meu texto me dá arrepios. Contudo, é como dizem, ossos do ofício.
Em contrapartida, encontrei um trecho defensor do copidesque. Segue:

A atividade de copidesque é mais complexa que a de revisão. (…) Se um texto é mal redigido, com repetições injustificáveis, mal paragrafado, contendo ideias desconexas, primando pela falta de coesão e coerência textual etc., ele deve ser copidescado. No processo de copidesque, o profissional propõe, reescreve, revisita o original, com a finalidade precípua de ‘relavrar’ o texto. Há textos ricos em conteúdo, mas que não resistem a uma análise acurada. É nessa hora que o revisor (ou o copidesque) tem de exibir o seu conhecimento de leitura, de cultura geral, e sua habilidade na produção de texto, conferindo clareza ao trabalho.” [NETO, Aristides Coelho. Além da Revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora Senac-DF, 2008]

Ok. Isso me deixou um tanto indignada.
"Se um texto é mal redigido, com repetições injustificáveis, mal paragrafado, contendo ideias desconexas, primando pela falta de coesão e coerência textual etc., ele deve" ser despedido. Esse cara deve ser despedido. Não se estuda quatro anos para exercer mal uma profissão! E quem é que contrata um profissional desses?

Posso dizer que, se alguém me oferecer um trabalho como copidesque hoje, aceito sem exitar. Contudo, não posso aceitar a forma como este autor exaltou a profissão. Como se todos os jornalistas que trabalham nas matérias fossem ignorantes, incompetentes. E não devem ser.
Precisam ser os melhores, pois são instrumentos de conexão da sociedade, quem faz as pessoas se revoltarem contra injustiças, contra a mizéria. Se unirem e se apiedarem quando desastres acontecem.

Com certeza, temos que ser melhores que nossos copidesques.

Entretanto, isso me fez pensar em como há pessoas insatisfeitas e trabalhando apenas por trabalhar. Apenas porque precisam sobreviver.
Alguns dizem que os jovens estão, cada vez mais, perdendo o interesse pelos estudos. Quem sabe seja preciso ver que os adultos estão, também, perdendo o prazer de exercer suas profissões. E então, de que valeu estudar todos aqueles anos? De que valeu se esforçar?
Será que já são os seres humanos "Cem milhões de impotentes em sentimentos"?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Análise do suicidio.


É comum, ao tratar de suicídio, que se leve em consideração apenas o lado psicológico individual de quem se suicidou, o que no século XIX era chamado de desordem psicológica. Contudo, para que se possa realmente entender os fatores que levaram um indivíduo a cometer tal ato, é preciso analisar o lado coletivo de sua vida.

Assim, pode-se dizer que o externo (convívio social) reflete diretamente no interno (particular), tendo em vista que o ser humano é criado para estar integrado numa sociedade, dividindo e aprendendo com ela valores como cultura, gostos, crenças e religião. De acordo com Durkhein, quanto mais os integrantes de uma comunidade compartilham costumes e idéias, mais intenso é o laço que criam entre si, estabelecendo uma relação de solidariedade, o que, para ele, contribui para uma baixa taxa de suicídios.

Logo, a idéia de que desordens psicológicas levam pessoas a tirar a própria vida tornou-se vaga, ao passo que estudos relataram que as desordens eram mais freqüentes na maturidade e, em contrapartida, os suicídios eram mais comuns à medida que a população envelhecia.
Esta é mais uma prova da relação entre o externo e o interno, pois é na idade adulta que o homem passa a ter maior dependência da sociedade, precisa trabalhar e manter a si e/ou sua família em boas condições, e quanto mais este se relaciona com outros, mais forte ou mais fraco ficará o seu juízo de valor e a sua moral, sendo que ambos conectam sentimentos e conceitos do particular ao social. O ser humano precisa ter uma âncora, algo que o ligue ao mundo ao seu redor, que o faça sentir a importância de estar vivo. Em geral, essa conexão é feita através do envolvimento familiar, religioso e até mesmo histórico-cultural ou histórico-conceitual, o que explica porque alguns povos, como os judeus, são menos propensos ao suicídio.

Portanto, é a forma como um ser se sobressai na sociedade que difere o seu comportamento e as suas atitudes perante a vida; se um indivíduo não sente que pertence a um grupo, que tem uma função para com ele, não entenderá a razão da existência.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Vida imperfeita

Encontrei um texto que fiz a alguns anos atrás, é só um texto. Mas gostaria de deixar registrado no blog, cara, me impressionei comigo mesma! Fantasminhas que me lêem, isso foi há muito tempo e não tem mais nada a ver comigo, ok!? Não se desesperem. Minha vida agora é quase perfeita!

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Eu o deixei em primeiro lugar na minha vida, e ele deixou um jogo em primeiro lugar na vida dele.
Eu o amei todos os dias desde que achei que ele fosse especial.

Eu disse a ele que o amava, ele disse que me amava e que eu era única. Mas ele acreditou num joguinho cretino, e não ouviu o que eu tinha a falar.
Ele foi embora, sem dizer adeus, sem dizer nada.


Então hoje eu subi as escadas de casa, procurando um motivo para continuar a pisar em cada degrau, pois quando eu chegasse la em cima, e começasse a cumprir minha rotina, ele não faria mais parte dela.
Sabe como é acordar e não ter a certeza da próxima vez que vai poder falar com o amor da sua vida?? Com aquela pessoa que sempre esteve com você quando você precisou?


Ele dizia que amava todos os dias, que precisava de mim pra viver, então um dia eu acordei e nunca mais o encontrei.
Ele nem se preocupou em mandar notícias... nem teve a consideração de procurar saber como eu estava, e eu aqui, sofrendo por ele.
Depois de tudo que passamos juntos, depois de tudo que ele me disse... aonde ele está?

Eu digo: não vou sofrer, não vou chorar.
Mas então lembro o quanto ele foi importante pra mim, e o quanto ainda é, e ele simplesmente não está aqui agora e não sei até quando.
Não há nada que eu possa fazer, não está ao meu alcance como eu imaginava.
Será que eu tenho que aceitar que de uma hora para outra acabou? É tão mais fácil quando te dizem adeus... quando justificam a sua ausência.
"Prefiro ouvir um 'não te amo mais', do que ter que aguentar o seu silêncio, e ficar imaginando o que se passa na sua cabeça."
As vezes acho que não vou suportar... porém eu não nasci com ele, e não preciso dele para viver, isto é opcional. Pena que meu coração não entende isso. Contudo, terá que entender.
Sim, faz falta... mas a vida continua.


Então eu tenho que encontrar todos os dias um novo motivo para sorrir, e dizer que está tudo bem. Na verdade não está, mas não importa mais, afinal as pessoas não verão que por dentro estou gritando, chorando e pedindo socorro... até chego a pensar, que estou me afogando dentro de mim mesma, e parte de mim se perdeu, ficou pra trás, esquecida.

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Oh! Drama de amores perdidos. O interessante de escrever sobre a sua vida é que um dia você pode olhar para suas desgraças passadas e ver o quanto elas eram pequenas. Vou contar essa história. Ele nunca me amou porcaria nenhuma e eu também não posso dizer que o amei. Fiquei triste, sim. Fiquei. Ele me encheu de mentiras, dele e minhas para mim mesma, e depois simplesmente virou as costas. Naquele momento, pareceu o fim do mundo. Doeu, mas não foi meu coração e sim o meu orgulho. Naquela época meu lado sentimental já estava abalado o suficiente para que outra pessoa pudesse me arrasar de novo.

Eu queria que ele fosse um salvador do que tinha me acontecido, porém, ele foi a minha certeza de que na vida não podemos fugir dos nossos maiores tombos, porque as pedras são maiores no caminho da fuga. Aprendi que temos que aceitar e continuar a viver a realidade. Pois, por mais que ela possa parecer cruel, nunca será cruel o bastante para valer a pena enganar a si mesmo, para aceitar uma vida de mentiras como eu aceitei nessa época. Mentindo para mim mesma que meu desejos haviam sido realizados.

Enfrentar a vida é sempre melhor, uma hora os desejos se realizam. Não completamente, claro. Afinal, os seres humanos parecem ter a necessidade de sempre querer mais de tudo e de todos.

Estranhos. Gosto disso.


Kiss, JeHh.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Homens-meninos, namorados malvados.



- Você está machucada?
- Não... Isso não é tão ruim. Eu apenas tropecei...

Se você tropeçar no amor, pode melhorar.
Mas se você cair no amor, você cairá para sempre.


Olá pessoal, desculpe a falta da semana passada, mas fico muito perdida em época de estudos e tal. Bom, essa semana comecei a ler um livro muito interessante.
Esse livro não conta história, na verdade é um exame meio psicológico, chama Mentiras de amor "O que os homens não sabem e as mulheres não admitem" da Deborah Mckinlay. E MENINAS, tem uma parte do lado masculino que eu nunca tinha parado pra pensar, mas não pude deixar de concordar com a autora. Segue:

Quando o homem é menino ele faz coisas desse tipo:
• a) Atira num passarinho com uma espingarda de ar comprimido.
• b) Enfia o cachorro da família numa caixa e bate nela com um enorme pedaço de pau.
• c) Tortura um gatinho com fogos de artifício.
O homem-menino se sente muito mal por ter feito essas peraltices. Ele carrega consigo a carga de culpa por um longo tempo. Então ele cresce, arruma uma namorada e conta a ela sobre tudo isso.
A namorada pensa que essa história, e o fato de o homem ter lhe contado, são uma prova da vulnerabilidade dele, de sua franqueza e de seu amor.
Ela não enxerga o que isso é realmente. É UMA HISTÓRIA ADMONITÓRIA.
Até o dia em que a namorada está frágil como o passarinho, irritante como o gatinho, doce e devotada como o cachorro da família e o homem pega a espingarda de ar comprimida e atira nela.”

Agora tudo faz sentido! Então é por isso que quanto mais choramos, mais eles pisam em cima de nós.
Com certeza, toda garota já passou ou ainda vai passar por essa fase de maldade masculina. Se apaixonar e ao invés de ser correspondida, é massacrada sem dó nem piedade sendo que, cada lágrima do rosto da pobre criatura é um troféu para o ego daquele garoto que está aprendendo a ser um homem muito, muito bipolar no aspecto amoroso. Ok, não gosto de generalização, então vou ressaltar: não todos, mas grande parte deles são assim.
E mesmo quando os sentimentos são correspondidos, haverá a fase “te chuto, porém te amo”, a qual se refere o trecho acima. Todo ser humano precisa de um ponto de fuga, algo para descarregar seus sentimentos reprimidos, nesses momentos, as mulheres ficam frágeis e procuram por alguém mais forte, que possa ajudar a restabelecer o controle. Os homens, bem, eles precisam de um ser frágil para se sentir mais fortes e conseguirem ter controle de suas vidas.
Há quem possa defender-se dizendo que é um comportamento instintivo, contudo, já faz séculos que o ser humano deixou de agir por instinto e passou a fazer uso da razão. Não é a toa que dizem que as mulheres estão à frente...

“A mulher adquire uma postura totalmente defensiva. Ela cerra os dentes e se contém. Quando mão consegue mais ocultar a evidência das suas lágrimas, conta às amigas que estão passando por ‘um mau momento’.
Ele não consegue controlar seu homem-menino. Ele é quase compulsivo em sua crueldade. Esta mulher simplesmente não vai revidar. Ele a atinge com mais força. Não consegue se conter. Apenas quer ver o quanto esse pobre e estúpido animal irá aguentar.
Quando o homem finalmente ergue os olhos e vê o sangue manchando as penas brancas do peito da avezinha, quando ele pára de gritar e escuta os ganidos da sua devotada companhia canina, quando se imobiliza por um instante e sente o gatinho esfregar suas pernas...
Ele se sente uma droga”.

Talvez seja por isso que os homens dizem que as mulheres são confusas, dá pra não ficar confusa com um ser assim? Num dia eles estão com aquele olhar frio e cruel que combina sadicamente com sua expressão de prazer, riem enquanto atiram nos pobres animais. E no outro chegam com a cabeça baixa e olhar suplicante. São, então, vitimas da sua própria raiva. “Oh! Eu nunca quis te fazer sofrer, eu não pensei no que estava fazendo, me perdoe”, e como se já não bastasse tanta falta de vergonha, acrescentam “Eu sou mesmo um idiota”.
De fato, são. Espero que mais garotas tenham coragem de dizer isso, e precisam começar a praticar desde cedo. Uma menina pode gostar de um garoto e chamar isso de amor, ela com certeza vai sofrer por esse sentimento cedo ou tarde e esse garoto sempre vai tentar se redimir, geralmente tarde demais, e então ela se pega pensando em dizer “tudo bem, fofo” , porque ela ainda tem esperança que ele possa ter guardado as lágrimas que ela chorou e transformá-las em sorrisos. Alguém precisa dizer a essa menininha que isso não vai acontecer. Alguém tem que dizer que é preciso cortar o mal pela raiz. Seus sonhos já foram jogados no lixo e por direito ela deve dizer “Sim, você é mesmo um idiota”.

O bom sofrimento é aquele que ensina a não fazer a mesma coisa duas vezes. Se os sonhos de alguém forem tirados deste, ninguém vai levá-los de volta. Se um coração foi partido, quem o partiu raramente o concertará. E não pensem que eu estou dizendo que sofrer é bom, só que eu prefiro esquecer a parte do choro e do afogamento pessoal e lembrar apenas do que ele me ensinou. Não adianta se apegar ao que não funcionou direito.

Estou errada?

Kiss, JeHh.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Wonderland

Nós éramos jovens quando o vi pela primeira vez e eu era apenas uma menina aprendendo a juntar seus sonhos.
Como num conto de fadas, ele era meu príncipe, por isso lhe pedi que viesse me buscar, me levar para um lugar aonde ninguém pudesse nos encontrar, só para poder fingir que o tempo não existia e que nada poderia estragar a felicidade que sentia.

Não me importava que meu Romeu atirasse pedras em pássaros, eu era a princesa e estava construindo nosso castelo, tijolo por tijolo, antes que os lobos viessem para destruí-lo. Podia ouvi-los se aproximando, cada dia em que o esperava, era um dia mais perto dos cães selvagens, pensei que não viesse mais, que estaria perdida no meio de uma matilha faminta.
E então ele chegou, pegou a minha mão e me guiou pelo jardim do castelo, havia muitas flores de diversas cores e eu até podia voar com asas de borboleta. Pensei que estivesse no país das maravilhas, de pés no chão e cabeça nas nuvens.

Entretanto, algo parecia estar dando errado, ele sorriu para mim e se afastou. Fiquei confusa, tudo o que podia ouvir era um badalo frio e sádico. O chão pareceu sumir de meus pés eu estava despencando de ponta cabeça. Talvez estivesse enlouquecendo.
Os badalos continuaram, até que eu entendi. Era o relógio marcando meia-noite, era tudo um truque e pude sentir o desespero de Cinderela. Tentei bater minhas asas, porém elas não funcionavam mais. Tentei gritar, mas estava num conto de fadas, muito longe para que qualquer um me encontrasse, já havia me esquecido do gosto e do cheiro do mundo que deixei.
Tudo o que conhecia eram as lendas que me contaram, contudo, os ângulos estavam todos errados, como poderia lutar?

Tinha construído um mundo mágico, porque minha realidade era cruel demais para viver e agora descobri que não há como fugir da tragicidade da vida.
Me dêem uma pá, quero cavar um buraco para enterrar meu castelo, porque sim, eu vou sobreviver a isso. Mesmo que o mundo esteja se partindo, quando eu finalmente atingir o chão não vou apenas me virar, vou cavar bem fundo um buraco para enterrar meu castelo.

Nunca mais cairei num truque novamente, vou me defender até o fim, pois aprendi que se algo não é real, não há como enxergar, não há como sentir com o coração e então não vale à pena.
Eu não vou mais acreditar no que não posso ver.
Jéssica Bueno
Créditos:
Brick by boring brick - Paramore // Wonderland - Avril Lavigne // Love Story - Taylor Swift

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pontes partidas


O mundo sempre pareceu-lhe colorido demais, naquele momento a própria escuridão noturna era para ele luminosa, tinha a impressão de que as estrelas caíram do céu para brincar pelas ruas e avenidas da calma e quente Califórnia.
Sentiu braços macios e delicados o apertar em um abraço pela cintura, virou-se para encarar sua namorada, com olhos azuis indagadores, ela sempre parecia cismar que ele escondia seus pensamentos mais profundos. Bem, ela estava certa.

Mas não há como mudar a essência de um espiríto em fuga.

E ele fugia. Sempre parecia estar querendo escapar de alguma coisa, tinha a sensação que aonde quer que fosse, sempre haverá algo ou alguém atrás dele, pronto para aprisioná-lo. Como poderia dividir esses pensamentos com alguém? Certamente lhe chamariam de louco ou desconfiariam de uso de drogas de sua parte.
- Você está com aquele olhar profundo de novo, Drew - acusou Lily
- Bobagem. Estava aqui tentando entender porque as estrelas sumiram essa noite.
Mas os olhos maquiados de Lily se apertaram, ele nunca conseguia enganá-la.
- Não gosto desse olhar, parece que vou cair no seu abismo se ficar olhando-o por mais tempo.
- Então não olhe - disse ele, beijando-a intensamente. Durante alguns minutos, limitaram-se a abraços e beijos.
Contudo, já estava tarde e tinham que ir embora. Festas em prédios abandonados eram legais, mas só enquanto a polícia não descobrisse.
Caminharam em silêncio até o carro dela, antes entrar, porém, Lily olhou em seus olhos novamente e sua expressão estava triste
- Não posso não olhar Drew, porque ainda que o seus olhos pareçam abrigar o mar, seu amor por mim está aí em algum lugar, e eu nunca vou desistir de encontrá-lo.

Ele não respondeu. Queria poder dizer-lhe que a amava, entretando, durante aqueles dois meses juntos, essas palavras de afeição teimavam em enroscar-lhe na garganta. Ao invés de dizer algo, passou os dedos nos cabelos castanhos de Lilian, deu-lhe um beijo na testa e com uma piscadinha, caminhou em direção à sua moto.
Foi embora sem olhar para trás, fugindo daqueles olhos que teimavam em decifra-lo, fugindo daquela garota que o fazia querer ficar para sempre com ela.

E principalmente, fugia do desejo de não mais querer fugir.

Seus pais estavam acordados quando chegou em casa, o que era incomum para um dia de domingo. Sua mãe tinha no rosto uma expressão de quem tentava manter a calma. Seu pai passou o braço ao redor de seus ombros e disse:
- Venha moleque, temos que conversar.
Como ex-tenente do exército, seu pai tinha modos bruscos e uma maneira rigida de lidar com ele, era algo que não lhe fazia a menor diferença, pouco se importa de levar bronca ou uns cascudos. Era seguro de tudo o que fazia, e arrependimento era um sentimento pouco conhecido por ele.
- Você foi convocado pelo exército para cuidar da sede da ONU no Iraque. - Disse o pai de supetão quando chegaram na cozinha.
Uma onda gelada percorreu todo o seu corpo, quis pensar que era uma onda de adrenalina e não o puro terror que pareceu decidir montar acampamento dentro dele.
- Quando? - Foi apenas o que conseguiu dizer.
- Amanhã partem. Arrume suas coisas. Boa sorte.

Sua mãe quis fazer um lanche para ele, ele não aceitou. Quis ajudá-lo com a mala, ele não aceitou. Quis confortá-lo, ele também não aceitou.
- Me deixe fazer algo por você, meu filho. Não sei quando nos veremos de novo. - Suplicou ela.
Ele a abraçou comedidamente.
- Ei baixinha, você já fez muito por mim, me ensinou a andar, a distinguir o certo do errado e a amar. Agora é por minha aconta.
Ela o olhou longamente, como se o estivesse vendo pela primeira vez. O abraçou como se nunca mais fosse abraçá-lo de novo. E deixou o quarto a passos largos, como se nunca mais pretendesse entrar nele outra vez.

Andrew olhou ao redor, pegou seu saco do exécito e começou a arrumar suas coisas. Não podia levar muito, mas de qualquer forma, quando se caminha para morte não, não há muitas coisas que sejam realmente importantes. Meia duzia de cuecas, quatro camisetas brancas, quatro calças camufladas, meias, escova de dentes e uma foto.
Fechou seu saco, tomando o cuidade de deixar de fora seus sonhos, seus medos e suas lembranças. Preferiu organizar estes em uma pequena caixa que também continha uma foto. Endereçou-a a Lily, pensando no que ela lhe diria se ele fosse se despedir, provavelmente que não poderia ir a guerra sem esperança e amor. Bem, o segundo ele realmente não conseguia tirar de dentro dele, nem ao menos para dize-lo.
Porém, esperança, de que? De vencer uma guerra para que pudessem arrumar outra? De matar o suficiente para poder viver?

Para aquele jovem, não existia esperança numa guerra. Apenas o desespero, visto nos soldados que agarravam suas armas como se assim pudessem agarrar as próprias vidas.
Deitou-se na cama, logo seria dia de novo. Tratou de fechar os olhos, selando dentro dele o pavor, a sensação de perigo eminente, e sua vontade de fugir. Tudo pelo qual ele era capaz de lutar.

E lutou, mas de maneira nenhuma a guerra foi dentro dele.

sábado, 13 de março de 2010

Ex-presidiários saem nas ruas fazendo propaganda enganosa.

Na ultima sexta-feira (12), um grupo, envolvendo homens e mulheres, bateu de porta em porta, no período entre aproximadamente nove horas da manhã e três horas da tarde, no bairro Novo Chapadão em Campinas. Eles diziam estar fazendo uma pesquisa para o Senso e pediam para que os moradores respondessem a algumas perguntas e preenchessem um questionário.
Ao final destes, os integrantes diziam-se ex-presidiários da Bahia e exigiam que os moradores lhes dessem quatro cheques no valor de R$ 95,00. "No começo eles disseram que não envolvia dinheiro, e depois pediram os cheques." Disse a dona de casa Augusta. "Eu disse que não tinha o dinheiro, mas eles ficavam insistindo. Começaram a me cercar e a dizer que eram ex-presidiários, que saíram do mundo das drogas, que não matavam mais e esse dinheiro ia para a alimentação deles. Fiquei com medo."
A maioria dos moradores do bairro disseram que acabaram dando o dinheiro por se sentirem intimidados e moralmente agredidos. "Não vi outra saída a não ser lhes dar os cheques, eles não iam embora." Contou a dona de uma floricultura. "Temi pela minha família." Apenas os que puderam atende-los com os portões fechados conseguiram escapar.
Depois de pegar o dinheiro, o grupo dava a eles um minidicionário e um comprovante com endereço e telefone da Bahia, o que deixou os moradores confusos, no inicio tinham de responder perguntas para uma pesquisa do Senso, depois precisavam pagar o equivalente a R$ 380,00 para ajudar na alimentação dos ex-presidiários e por fim, estes lhes davam um minidicionário inglês/português.
Além disso, o fato do telefone e do endereço serem de outro estado, dificulta possíveis reclamações dos moradores, que não sabem o que fazer. "Meu marido quer sustar os cheques, mas eles sabem aonde moramos, tenho medo que voltem e façam alguma coisa" Acrescentou a dona de casa.

Em caso de golpes como esse a melhor coisa que se têm a fazer é chamar a policia para resolver o problema. Opressão é desrespeito aos direitos humanos, uma vez que consta na declaração:
"Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal"
"Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências em sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem proteção da lei contra tais interferências ou ataques."
Reclame pelos seus direitos perante a sociedade, pois é isso que a fortalece e a torna mais justa e igualitária.