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quarta-feira, 6 de julho de 2011

A arte de atender


À uma hora da tarde começa a segunda etapa do meu dia, quando começo a realizar minha segunda função, juntamente com uma parte da primeira. Isso se resume em responder e encaminhar e-mails, resolver problemas e entregar resultados de exames. O periodo da tarde passa mais rápido do que a manhã, embora tenha mais coisas para fazer neste outro. Vamos agora a um relato corriqueiro.


Dia 5 de julho de 2011, 14 horas e 20 minutos.

Uma mulher loira, constantemente com ar de apressada, volta para o laboratório pela segunda vez naquele dia. Na primeira, sua amostra não pôde ser aceita por ter ficado mais de doze horas em geladeira.

"Oi. Trouxe de novo a amostra, dessa vez nem ficou na geladeira"

A recepcionista olha com espanto. "Nós só recebemos amostras até às treze horas

"Eu não acredito! É a segunda vez que eu venho aqui hoje! Da primeira vocês não aceitaram porque tinha ficado mais de 12 horas em geladeira e agora não podem mais receber!?"

"Estava escrito no papel de instruções que eu te dei hoje cedo"

"Mas nesse papel aqui está falando até as 16 horas!"

"Só que esse papel é de entrega de resultado"

"Isso devia estar escrito em outro lugar, porque é muito confuso desse jeito!" Vociferou a loira, com ar de quem iria jogar tudo pelos ares.

"Tem uma placa na porta" Acentuou a garota do outro lado do balcão.

"Aah, eu não acredito! Não vou mais fazer esse exame, pode cancelar tudo! Cancela tudo! Eu não vou mais fazer isso, vocês fazem a gente de palhaço?"

Então foi embora, batendo os pés e a porta ao sair. Deixando a recepcionista se perguntando quem era realmente o palhaço da história. Se a loira que, como muitos outros, não leu as placas e as instruções de procedimento que lhe foram entregues, ou a funcionária que não sabe mais o que fazer para eles prestarem atenção nos avisos.




Este acontecimento me faz refletir sobre os hábitos dos Campineiros. A maioria das pessoas que atendo, preferem pedir informação sobre aquilo que desejam à tentar encontrar por si mesmos. Um exemplo: "Aqui faz vacina?", "Faz sim, é no mesmo prédio, mas não é dessa empresa", "Quanto é a vacina da gripe?", "Então, o senhor tem que se informar com eles, não é da nossa empresa", "Ah é? E aonde é?", "Ali, naquela porta atrás do senhor, está escrito SALA DE VACINA, tá vendo? Então, é lá".

Algumas coisas são difíceis de entender, pergunto-me sempre se eu era assim antes de começar a trabalhar aqui, e se isto é algo regional, ou talvez seja uma ilustração da famosa frase "brasileiro é preguiçoso". Você já reparou em algo assim? Também acontece em sua cidade?

Estou pensando em promover um evento: "HOJE É O DIA MUNDIAL DO FAÇA VOCÊ MESMO"


JeHh Bueno

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Livro da vida - Ilha das Flores

Prólogo

"Se todas as coisas
Que falam que são do mal
Não têm sequer um pouco de amor
Então tenho que chegar a algum lugar
E não morrer sem ter o que fazer"
(Legião Urbana)

Capitulo X


Epílogo

sen.ti.do
adj. 1. Magoado, melindrado. 2. Sensível, suscetível. 3. Contristado, pesaroso, triste. 4. Lamentoso, plangente. S. m. 1. Cada uma das funções pelas quais o homem e os animais recebem a impressão de objetos externos por meio dos órgãos apropriados: visão, audição, olfato, gosto e tato. 2. Faculdade de sentir. 3. Maneira de ser compreendido. 4. Interpretação dada a uma palavra ou frase. 5. Lado, direção. 6. Razão de ser, significação. 7. Posição regulamentar (de pé, imóvel, calcanhares unidos, mãos coladas às coxas) tomada pelos militares em certas ocasiões. S. m. pl. 1. Faculdade de experimentar o prazer; concupiscência, sensualidade. 2. As faculdades intelectuais.

Carta ao leitor

Caros leitores silenciosos, trago hoje uma reflexão. O vídeo Ilha das Flores apresenta fatos sobre a realidade e deixa o julgo para que o assistiu. Em discussão sobre ele na faculdade, percebi que cada um o interpretará de uma forma diferente e essa forma não é, necessariamente, certa ou errada, apenas diz respeito à criação e personalidade. Porém, proponho um caminho para refletir: Há um sentido na vida? Há um sentido para a vida?

Será possivel que o significado da vida mude quando se muda o meio social ao qual determinada pessoa está incluida?

sábado, 31 de julho de 2010

O amor é uma droga

Hoje li no jornal um artigo bem interessante de Joaquim Zailton B. Motta, psiquiatra e sexólogo, falando sobre a pesquisa de Helen E. Fisher, antropóloga canadense, sobre os aspectos biológicos do amor não correspondido.
"Todos os participantes tiveram altas pontuações em um questionário que mediu a intensidade dos afetos românticos. E também disseram que os pensamentos dedicados à pessoa amada ocupavam a mente pelo menos 85% do tempo em que permaneciam acordados. Os cientistas descobriram que, enquanto olham para as fotografias dos "ex", os homens e mulheres rejeitados têm ativadas as regiões cerebrais associadas com recompensa, ansiedade de dependência, controle das emoções, dor física e angústia.
[...] É possivel que essa resposta à rejeição romântica possa ter uma base antropológica: os circuitos cerebrais do amor desenvolveram-se há milhôes de anos para que os nossos antepassados concentrassem a energia do acasalamento em apenas uma pessoa por um dado tempo. Quando rejeitada no amor, é como se a pessoa perdesse o maior prêmio da vida, ou seja, um parceiro para o acasalamento. Então, o sistema é ativado para tentar a reconquista."
Interessante como para tudo na vida há uma explicação histórica. É assim com as ações humanas, tudo o que determinado individuo realiza é recorrente do que aprendeu e de como aprendeu. Do que viu, ouviu e sentiu. Assim sendo, também se pode dizer que as pessoas influenciam direta ou indiretamente na vida umas das outras, tendo em vista que a educação e os costumes é derivado da sociedade ao qual estão incluidas.
Outro ponto que me chamou atenção foi a existência do GEA (Grupo de Estudos sobre o Amor), criado pelo próprio Dr. Joaquim Zailton B. Motta. O grupo realiza encontros toda segunda-feira no Tênis Clube, às 20hrs, com eventos, oficinas, palestras, debates abertos ao público, em que é proposta a reflexão sobre a teoria e a prática do amor em várias das suas dimensões, compartilhando temas, idéias, perspectivas. Quem quiser é só comparecer, não é necessário fazer inscrição.
Bom, como diria meu querido ex professor Fábio de biologia, não estou ganhando nem um tostão para fazer a propaganda então, se quiserem mais informações, acessem: http://www.blove.med.br/
Que o animal se manifeste e dê a vocês um ótimo dia do orgasmo!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Análise do suicidio.


É comum, ao tratar de suicídio, que se leve em consideração apenas o lado psicológico individual de quem se suicidou, o que no século XIX era chamado de desordem psicológica. Contudo, para que se possa realmente entender os fatores que levaram um indivíduo a cometer tal ato, é preciso analisar o lado coletivo de sua vida.

Assim, pode-se dizer que o externo (convívio social) reflete diretamente no interno (particular), tendo em vista que o ser humano é criado para estar integrado numa sociedade, dividindo e aprendendo com ela valores como cultura, gostos, crenças e religião. De acordo com Durkhein, quanto mais os integrantes de uma comunidade compartilham costumes e idéias, mais intenso é o laço que criam entre si, estabelecendo uma relação de solidariedade, o que, para ele, contribui para uma baixa taxa de suicídios.

Logo, a idéia de que desordens psicológicas levam pessoas a tirar a própria vida tornou-se vaga, ao passo que estudos relataram que as desordens eram mais freqüentes na maturidade e, em contrapartida, os suicídios eram mais comuns à medida que a população envelhecia.
Esta é mais uma prova da relação entre o externo e o interno, pois é na idade adulta que o homem passa a ter maior dependência da sociedade, precisa trabalhar e manter a si e/ou sua família em boas condições, e quanto mais este se relaciona com outros, mais forte ou mais fraco ficará o seu juízo de valor e a sua moral, sendo que ambos conectam sentimentos e conceitos do particular ao social. O ser humano precisa ter uma âncora, algo que o ligue ao mundo ao seu redor, que o faça sentir a importância de estar vivo. Em geral, essa conexão é feita através do envolvimento familiar, religioso e até mesmo histórico-cultural ou histórico-conceitual, o que explica porque alguns povos, como os judeus, são menos propensos ao suicídio.

Portanto, é a forma como um ser se sobressai na sociedade que difere o seu comportamento e as suas atitudes perante a vida; se um indivíduo não sente que pertence a um grupo, que tem uma função para com ele, não entenderá a razão da existência.

sábado, 13 de março de 2010

Ex-presidiários saem nas ruas fazendo propaganda enganosa.

Na ultima sexta-feira (12), um grupo, envolvendo homens e mulheres, bateu de porta em porta, no período entre aproximadamente nove horas da manhã e três horas da tarde, no bairro Novo Chapadão em Campinas. Eles diziam estar fazendo uma pesquisa para o Senso e pediam para que os moradores respondessem a algumas perguntas e preenchessem um questionário.
Ao final destes, os integrantes diziam-se ex-presidiários da Bahia e exigiam que os moradores lhes dessem quatro cheques no valor de R$ 95,00. "No começo eles disseram que não envolvia dinheiro, e depois pediram os cheques." Disse a dona de casa Augusta. "Eu disse que não tinha o dinheiro, mas eles ficavam insistindo. Começaram a me cercar e a dizer que eram ex-presidiários, que saíram do mundo das drogas, que não matavam mais e esse dinheiro ia para a alimentação deles. Fiquei com medo."
A maioria dos moradores do bairro disseram que acabaram dando o dinheiro por se sentirem intimidados e moralmente agredidos. "Não vi outra saída a não ser lhes dar os cheques, eles não iam embora." Contou a dona de uma floricultura. "Temi pela minha família." Apenas os que puderam atende-los com os portões fechados conseguiram escapar.
Depois de pegar o dinheiro, o grupo dava a eles um minidicionário e um comprovante com endereço e telefone da Bahia, o que deixou os moradores confusos, no inicio tinham de responder perguntas para uma pesquisa do Senso, depois precisavam pagar o equivalente a R$ 380,00 para ajudar na alimentação dos ex-presidiários e por fim, estes lhes davam um minidicionário inglês/português.
Além disso, o fato do telefone e do endereço serem de outro estado, dificulta possíveis reclamações dos moradores, que não sabem o que fazer. "Meu marido quer sustar os cheques, mas eles sabem aonde moramos, tenho medo que voltem e façam alguma coisa" Acrescentou a dona de casa.

Em caso de golpes como esse a melhor coisa que se têm a fazer é chamar a policia para resolver o problema. Opressão é desrespeito aos direitos humanos, uma vez que consta na declaração:
"Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal"
"Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências em sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem proteção da lei contra tais interferências ou ataques."
Reclame pelos seus direitos perante a sociedade, pois é isso que a fortalece e a torna mais justa e igualitária.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Qual o e-mail de DEUS?

Recebi um e-mail recentemente, dizendo que as pessoas encaminham e-mails sobre amor, sorte e etc., sem pensar, mas quando o e-mail fala de seu amor à Deus, pensam duas vezes. Eu até comecei a concordar, contudo, li até o final. Vou colocar um trecho e explicar.

[...]E Jesus pagou o preço da nossa liberdade! Como nós podemos nos esquecer de Jesus?Acreditamos em tudo o que nos ensina, mas sempre questionamos as coisas que vem de Deus! Todos querem um dia estar com Deus, mas não querem conhece-lo! E ama-lo! Muitos dizem: Eu acredito em Deus, (Satanás também!), mas não fazem nada por Ele! [...] Dizem a todo o momento, a qual clube pertence, mas pensam duas vezes antes de dizerem: SOU DE CRISTO E AMO A DEUS! [...]

Até aqui eu pensei seriamente em repassar pra algumas pessoas que eu achei que gostaria do texto.

[...]Se você é uma pessoa que Crê em Deus e o Ama, então envie essa mensagem todos que você conhece!!! (tirando os erros, isso soa mal do mesmo jeito. É quase uma chantagem, uma obrigação por amar o Criador). Deus te recompensará!!!! (Isso já está parecendo uma condição, ei diga que ama Deus e ele vai te ajudar, se você amar em silêncio e orar todos os dias na sua casa em silêncio ele não vai te recompensar). Que Deus abençoe abundantemente o teu dia! (Sarcasmo!) Se você não é uma pessoa que Crê em Deus e o Ama, não envie essa mensagem!!! (Creio em Deus do meu jeito e nesse jeito eu não preciso enviar essa mensagem intimidadora e agressiva para meus conhecidos).
Aja com MEDO E simplesmente DELETE ela!!! E Satanás se sentirá muito satisfeito com sua ação!!! (Isso é agressão pisicológica! Não tenho medo, tenho aversão a esses e-mails que colocam condições e valores imorais a fé. E o Satanás não ficará satisfeito, porque o mal que eu não quero para mim nem para os outros não poderá corroer a minha mente e muito menos a minha alma).

Bom, já disse o suficiente. Se for arrastada até o inferno qualquer dia desses por ser uma preferida do satanás manda um alô de lá. Será que há concorrência entre as operadoras do bem e do mal? Haha.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A rotina

Olá pessoal. Depois daquele meu texto melancólico minha vida voltou aos eixos e eu desanimei com o blog, mas agora me reanimei. Meu sobrenome é escrever, o que posso fazer? Passa janeiro, um mês sem parar muito em casa, ainda bem, e agora cá estou eu, voltando das férias que tirei dos meus pensamentos.

Faz um tempo que queria comentar sobre a propaganda da Natura, é extremamente criativa e até um pouco emocionante. Aqui está ela inteira, colocaria o vídeo da propaganda se soubesse como fazer isso.


A Rotina

A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho, é o oposto.
A rotina do jornal é o fato.
A celebridade é a rotina do boato.
A rotina da mão é o toque.
A rotina da garganta, é o rock.
O coração é a rotina da batida.
A rotina do equilíbrio é a medida.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele, é o arrepio.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca, é o desejo.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.

Se eu pudesse acrescentar uma rotina, diria que a rotina do caminho é a indecisão e a rotina da pedra o tropeção.
E vocês, o que acrescentariam se pudessem??

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Observações inúteis

lPassando os olhos pelo site da globo, me deparo com a seguinte matéria: Casal russo é preso na Tailândia após ser flagrado fazendo sexo na praia. A matéria diz que a policia Tailandesa recebeu uma denúncia na sexta-feira (11) informando que um grupo de estrangeiros estavam se exibindo de maneira indecente na praia e, quando os tiras chegaram lá, um casal que estava dentro da água aparentava estar fazendo sexo.

Claro, uma vez que um episódio semelhante explodiu na mídia brasileira, vindo de uma celebridade, não há muito o que dizer com alguma moral para criticar um caso como esse. Todavia, ainda existe conceitos culturais e particulares que podem ser levados em conta, como a questão da religião, no caso do catolicismo, é proibido ter relações antes do casamento ou expor o corpo, como foi feito pelos russos.
Porém, não se pode negar que é um tanto difícil, no século XXI, encontrar um filme ou mesmo um livro de romance que não fale de sexo, que não o descreva e não dê tanta importância a isso. Os pais têm cada vez mais dificuldades em lidar o assunto com seus adolescentes e de orientá-los, alguns por não ter tido o mesmo em sua criação, outros pois o acesso a imagens, vídeos e informações se tornou tão fácil, que já não sabem a que ponto está a idealização e o conhecimento de seus filhos.
Em contraste, descendo a mesma página do G1 em que há a reportagem, encontra-se outras manchetes como: "Multada por sexo barulhento, britânica admite que violou ‘lei do silêncio’" , " Americano é preso por ligar para polícia e pedir sexo para telefonista", "Casal é multado na Alemanha em R$ 5,4 mil por fazer sexo na varanda", "Cobrador é preso ao propor para mulher perdão de dívida em troca de sexo", "Cabeleireira transforma assaltante em escravo sexual na Rússia". Nota-se que a maior parte das manchetes trazem fatos sobre adultos e não sobre jovens querendo experimentar o que assistiram na televisão ou viram em sites. Estes relatos chamam a atenção não pela vulgaridade dos atos cometidos, mas porque tais foram realizados por quem deveria dar o exemplo.
Surge então uma questão, a mídia é mesmo culpada por induzir a sexualidade precoce? Ou ela é o alvo por relatar os atos dos próprios homens que deveriam dar o bom exemplo?
Na melhor das hipóteses, entre discussões, prisões e fugas, trabalho e viagem, tudo sempre acaba em "make love".
Se não é trágico, ao menos garante algumas risadas! O personagem de Hugh Laurie, dr. House, é que está certo em dizer que o que conecta os seres humanos na terra é o sexo, essas exibições de amor em público estão por toda parte e acontecem com cada vez mais frequência.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Liberdade e Compromisso

"O homem atual contempla com tanto receio a possibilidade de se comprometer que se corre o risco de paralisar, voluntariamente, seu poder de escolha e sua própria liberdade ao cabo. Escolher é comprometer-se. Toda a escolha é um compromisso. Logo, aqueles que têm pavor de escolher ou se limitam a tentativas abandonadas rapidamente contradizem e anulam a sua própria liberdade.
O homem moderno está na junção de várias veredas, mas, enquanto tiver medo de se comprometer, ficará estagnado na encruzilhada. Esta paralisia da liberdade, que torna o homem incapacitado de optar, de maneira duradoura, por qualquer coisa que lhe imponha um certo sacrificio, já não é a simples dificuldade decorrente do poder de escolha, porém, o estorvo que deriva do singelo fato de que a adoção de uma alternativa implica a exclusão de todas as demais. [...]"
(André Gonçalves Fernandes, juiz de Direito da 2° Vara Cível da Comarca de Sumaré, Correio Popular, 22 de julho de 2009).

Jovens: Liberdade e Compromisso?

É comum se ouvir dizer que os jovens devem conquistar sua liberdade e seus direitos antes de poder assumir um compromisso ou qualquer outro tipo de relação com alguma coisa (ou alguém) que envolva responsabilidade e maturidade. Porém, o espaço dado a estes jovens para que descubram o que é ser livre e ter que arcar com as consequências de seus atos, é curto e limitado.
A própria sociedade inibe a sua coragem e determinação, já tão deturpada pelo medo de errar.
Concomitantemente, durante a sua formação, a maior parte da confiança que lhes é oferecida pelos adultos, vem acompanha pela insegurança mal disfarçada, que para eles tem um impacto maior do que deixam transparecer. O que explica a falta de confiança tão evidente que tem em si mesmos.
Todavida, concluída sua formação escolar, esperam que façam suas escolhas sem exitar e assumam seus compromissos. Contudo, quando exitam, são repudiados pelas mesmas pessoas que extinguiram a fé que deveriam ter sobre si mesmos. As mesmas pessoas que aprisionaram sua vontade de aprender a lidar com a liberdade e o compromisso que lhes são exigidos ao final. Pessoas que refletem o homem moderno. Que criam homens modernos.

Jéssica Bueno.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Eu não quero ser vazia.

O carro em movimento, a musica toca sem ninguém realmente a ouvir, mas dá um clima agradável para a conversa desconfortável que se iniciou sem que se soubesse como.

V: Eu pensei muito a respeito de faculdade federal sabe... vou prestar só por prestar, porque se for para eu ir pra longe, vai dar muito gasto para o meu pai. Quase tanto quanto se eu fizer em uma faculdade particular.
JB: Também pensei nisso... - olha para fora como que buscando coragem para dizer o que a angustiava há muito tempo - Sabe V., eu também não quero ir para longe, mas não tanto pelos gastos... é só que... eu estou feliz aqui. Pela primeira vez eu estou tendo a vida que eu quero, pode ser burrice, mas não quero abrir mão disso. Eu nunca aproveitei tanto ter meus amigos ao meu lado, nunca aproveitei tanto a minha família... nunca aproveitei tanto ter um namorado...

A amiga olha para JB. com um sorriso encorajador, em seus olhos há uma mescla de prazer e compreensão.

V: Jé, é exatamente isso que eu penso. Porque eu preciso deixar meus amigos, minha família, meu apoio, a cidade que eu amo, meu namorado, para ir atrás de um futuro que talvez seja brilhante? Aqui eu sou feliz, aqui eu sou completa. - JB. concorda com entusiasmo, então afinal não estava sozinha! - Porque preciso ir para longe e ser vazia?
JB: Meus Deus, eu não sou a única que pensa assim. Não quero ir para longe, quero tentar aqui. Minha mãe jamais entenderia. Tenho medo de passar na Unesp, medo de ter que ir para longe e deixar tudo o que eu conquistei para trás. Eu tenho tudo o que sempre quis, aqui eu me sinto forte. Não pode ser tão errado querer ficar. - as palavras, como de costume, saíram atropeladas devido a empolgação que sentia. Parou para tomar fôlego e concluiu: - Também me sentiria vazia em qualquer outro lugar. Sem saber para onde ir e sem poder voltar.

Ao lado, o motorista, que por sinal é namorado da V., deu um muxoxo de impaciência:
B: Vocês se preocupam demais.
V: Não amor. A escola é que nos deixa assim!
JB: Claro, o que mais nos mata é a sensação de que se não for agora, é para nunca mais. Odeio isso.
V: Sim, concordo. Parece que eles dizem: se vocês não passarem esse ano, se não conseguirem, tudo o que vocês já aprenderam não poderá ser usado nunca mais. Foi tudo uma perda de tempo.
JB: Exatamente!!
V: Mas sabe Jé, eu já tomei mesmo a minha decisão. Vou ficar aqui, seja como for, vou lutar ao lado das pessoas que eu amo e que me fazem feliz. E se daqui a 20 anos eu olhar para trás e ver que não valeu a pena, pelo menos durante esses 20 anos eu fui feliz e estava satisfeita com o pouco que eu tinha...
JB: Sim! - vibrou ela - E daqui a 20 anos, sei que poderei encontrar outras razões para continuar satisfeita e feliz com o que eu consegui durante esse tempo. - completou a fala da amiga.

As amigas sorriram uma para outra. Compartilhavam o mesmo medo, a mesma angústia, compartilhavam, até certo ponto, dos mesmos desejos. Mas principalmente, compartilhavam e entendiam a mesma felicidade.
-- End --

Nós somos as novas caras da falência
Mais bonitos e mais jovens, mas não melhores
À prova de balas e sozinhos, ao menos
(Fall Out Boys)

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi dizer que os jovens são os responsáveis por mudar o mundo, por fazê-lo melhor. Quantas gerações jovens já não ouviram o mesmo? E quantas realmente mudaram? Poucas. Mas existiram, há décadas talvez.
Determinação e força não é algo que se cria, nasce com a gente. Foi transmitida por nossos pais, que herdaram de seus pais.

Crescemos aprendendo que todas as regras devem ser respeitadas, somos moldados por elas. Somos filhos das falhas que caracterizam uma nação, falhas que são como rachaduras numa rocha, quanto mais o tempo passa, mais profunda ela se torna. Como mudar o mundo sem mudar quem somos? Como criar a coragem que caiu no abismo entre as rachaduras?
Sempre me dizem que preciso dar soluções em minhas redações. Mas só o que vejo quando olho pela janela, são perguntas sem respostas.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Identidade

Houve um tempo em que o questionamento popular era: "Quem sou eu?". "De onde eu vim?". "Por que estou aqui?". Época em que para se ter uma resposta e passá-la ao mundo era necessário certo sacrifício. Nem todos tiveram êxito. Poucos dos que conseguiram se expressar continuaram a viver por mais tempo. Quase nenhum foi reconhecido em vida.
Talvez os antepassados tivessem medo de perder as perguntas que eram a razão do seu existir, ou talvez, simplesmente precisassem de suas certezas ignorantes para encontrarem perguntas óbvias.

Contudo, sob perseguições e mortes, religião e magia, a sociedade cresceu. E, por ironia do plano da morte, aprendeu. Aprendeu a aceitar respostas, mas principalmente, a mudar suas perguntas. Afinal, não é de Sócrates a frase "Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância"? O homem pode demorar a mudar, mas jamais deixará de fazê-lo. Pois a História prova que ele sempre vive em buscar de mais; mais de tudo o que já possui; mais perfeição a qualquer coisa que já se mostre perfeita.
Porém, jamais haverá um padrão em sua mudança, cada ser tem a sua identidade, sendo essa formada por igualdades e diferenças. Igual naquilo que se tem, ou até mesmo no que se quer, entretanto, difere-se na forma de querer, na intensidade da busca; difere-se em Ser. Isto é a essência do ser humano, tão frágil e delicada que, quanto mais o tempo passa, mais difusa ela se torna. Apenas olhos espertos ainda podem ver. E enxergam que os séculos mudaram as perguntas, tornaram supérfluos os alicerces - que formam a particularidade de um individuo -outrora insipientes.
Agora indagam-se "Porque eu sou assim?", ou até mesmo "Por que não sou como ele?", "Por que não posso ter o que todos tem"?. São perguntas desprovidas de possibilidade de reflexão pessoal; são perguntas respondidas com agulhas e bisturis. Feitas por seres que vêem para pensar.

Bons eram os tempos em que ainda se via para descobrir. Em que o sentido de viver era fazer, e não apenas ter.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A sociedade faz um indivíduo, ou o indivíduo faz a sociedade?

A sociedade brasileira, assim como a maioria das sociedades capitalistas, é envolvida por princípios que devem ser respeitados, tais como constituir uma sociedade livre, justa e solidária, e promover o bem de todos sem preconceitos de qualquer natureza.

Logo, se um indivíduo comete um crime, este tem o direito de se defender e, condenado ou não, deve ser tratado com respeito perante as leis humanitárias. Entrementes, sua posição economica é autamente considerada, embora este fato relevante tenha escapado aos humildes legisladores.
Para aqueles que crêem quando Aurélio diz que lugar de convívio social é um meio humano onde um ser está integrado, se pode lamentar informar que nem todos integram-se da mesma forma. A distinção entre aqueles que podem reclamar por não ter dinheiro para levar a família a um bom restaurante, e aqueles que conhecem tanto o restaurante, quanto seus clientes com suas gordas carteiras pesando-lhes no bolso, prontas para serem tomadas, não podem conviver como um todo.
Contudo, estes humano ambivalentes são filhos da mesma nação, que parece ter esquecido seus preceitos igualitários, tornando ainda mais difícil a aplicação da tal Justiça. Portanto, somente quando a diferença social deixar de ser vista como sinônimo de classificação dos que são bons e maus, certos e errados, poder-se-há julgar os que merecem ou não serem condenados por seus crimes.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Deficiencia social

Pode-se notar que a grande maioria da população brasileira vive em constante descontentamento com o país e com a cidade em que moram ou trabalham. Reclamam e protestam da falta de moradia, precariedade dos serviços públicos, falta de segurança e aumento no número de "marginais" nas ruas.
Porém, o maior problema da sociedade, não é aquele que está visível a ela, mas sim, o que está implícito de diversas formas. Um menino de rua, por exemplo, pode ser um marginal, que fugiu de um lar onde lhe foi proporcionado uma vida digna, por outro lado, ele pode ser alguém que não teve oportunidades e apenas é uma vitima da própria sociedade que o condena. Condenado por não ter quem o oriente, por não ser ouvido por ninguém, por passar fome todos os dias porque todas as portas se fecharam para ele e por só lhe ter restado uma opção, a de se defender da única maneira que sabe, agredindo-a.
Logo, apesar de muito ter sido feito à respeito da solução dessa deficiência social, quase nenhuma questão obteve um melhoramento a ponto de não mais existir, a desigualdade continua a crescer, a violência tende sempre a aumentar, os descontentamentos continuam e como se já não bastasse, a policia está amedrontando a população, uma vez que, o numero de mortes causadas por policiais quase ultrapassa o numero de mortes causadas por traficantes. Sendo assim, é notável que os chefes responsáveis pela melhoria do Brasil, não estão conseguindo se focar no verdadeiro núcleo das questões que abalam a sociedade.
Pois não é dando comida para um, que se extingue a fome em um país, não é criando leis que se ensina a educação, não é proibindo que se mostra o valor. É necessário ver os problemas como um todo, extirpar os limites que existe entre uma camada social alta e uma camada pobre, deixando de lado definitivamente o primitivo pensamento de que os considerados fortes, tem poder sobre os fracos, quando na verdade, são os fracos que moldam o meio de convívio destes.

domingo, 24 de agosto de 2008

Ingratidão à natureza


Durante eras, os seres humanos, dotados de inteligência, vagam pela Terra, explorando seus recursos e a modificando até que se esqueça que uma determinada área já foi característica de uma região do planeta, a isso se dá o nome de "evolução humana". Mas será que degradar a natureza é evoluir? Construir cidades enormes com alta tecnologia, extrair da terra mais do que ela pode oferecer e até mesmo, mais do que o necessário para se viver com algum conforto, esquecendo-se de olhar para as pequenas, mas importantes formas de vida que permitem a existência humana. Árvores e rios, elementos fundamentais para que haja habitação em um planeta, estão se tornando cada vez mais escassos. Animais estão entrando em extinção por perderem o seu espaço no mundo, o sol está se tornando um assassino e os mares mostrando a sua ira.
Logo, os responsáveis por tais acontecimentos catastróficos devem sorrir diante deles, pois este é o verdadeiro significado da "evolução humana" que buscam, e as consequências desta, serão ainda piores e se aproximam a cada dia. Ignorância é pensar que se pode fazer o que quiser com o que lhe foi dado, pois nem sempre há uma segunda chance. Se não pode repor com igualdade o que perder, é aconselhável que se cuide do que possui. Contudo, erronêo é o pensamento dos "Seres Inteligentes", que colocam seu desenvolvimento econômico e industrial em primeiro lugar, esquecendo-se que tudo o que construíram lhe foi permitido pela Mãe Terra, e toda permissão pode ser tirada.
Portanto, é melhor que o homem valorize o meio em que vive e mostre gratidão a ele, para não ter que mudar o titulo de "O planeta água", para "O planeta extinto", e não se arrepender de ter destruído a maior dádiva que um dia possuiu, tendo que presenciar a sua própria destruição.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Á vista de Fernando Pessoa

"A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças."
(Fernando Pessoa)

É muito comum na sociedade a procura por reconhecimento. Muitas pessoas desejam ser famosas, pois acham que poderão ter tudo o que quiserem, sem ter realmente que se esforçar para conseguir. Tal pensamento, geralmente ocorre entre a população de classe inferior, onde a frustração pela falta de oportunidades é maior.
Tendo em vista, a natureza à que foi criada a fama, conclui-se que, ela consiste na exposição de pessoas a que foi atribuído uma qualidade ou um feito de grande destaque. Porém, a consequência de se estar exposto a sociedade, mesmo que por reconhecimento de um ato plausível, é o pré-julgamento; torna-se aquilo que todos a sua volta desejam, ou avaliam que seja. A pessoa que realmente é, não importa.
Logo, uma vez dentro de um “mundo” onde sua popularidade está em destaque, não há como voltar atrás, como ser esquecido por todos, quando não se quer ser notado. Todas as suas atitudes são vistas e criticadas, justa ou injustamente. Perde-se parte de sua identidade, sendo obrigado a agir sob medida, tomando o devido cuidado, para não deixar que suas ações, aquelas humanas e inconsequêntes, ocorram com frequência; uma vez que, evitá-las consecutivamente é impossível, devido ao fato de estar na sociedade e ser influenciado por todos, até mesmo por aqueles impopulares, que fazem o que querem, como bem entendem, sem se preocupar com o preço de seus atos.
Sendo assim, nem todos os famosos aprovam sua fama, mesmo que a mereça, pois as "regras" invisíveis que ela impõe, é algo pouco desejável. E aqueles que fraquejam e a permite em sua vida, levados pela futilidade e pela luxuria de seu ser, estão se rendendo ao desejo íntimo de estar em destaque, de provar o seu valor, como se o negasse para si próprio e precisasse de outros para reconhecê-lo, tornando a sua personalidade, algo vulnerável e até mesmo flexível.
Portanto, é a essência de cada ser e sua capacidade de auto-preservação, que deve ser notada; porém, não julgada, mas sim respeitada.

sábado, 28 de junho de 2008

Bem viver.

Para começo de conversa, bem viver não está ligado a viver bem. Viver bem, como se define a fria e cruel sociedade capitalista, é a superioridade econômica, a boa e confortável "gozação" do luxo e dos confortos. É sair esbanjando saúde, dinheiro, sorrisos e conseguir criar uma imagem perfeita perante as pessoas, ou pelo menos a maioria delas, uma vez que, há quem saiba identificar uma boa índole, de um belo rosto carismático.
Logo, quando o assunto é ter uma vida boa, é indispensável a presença da boa refeição, e quanta gula quando a academia está aberta! Claro, tudo que é definido como "bom" socialmente, reflete a padrões da mídia. Porém, não vale a pena ditar tais padrões, não porque a maioria deles está escarlate aos olhos, mas para não interromper uma complexa corrente de idéias.

Bem viver, é ter a simplicidade nas ações, é quando consegue sentir-se realizado, sem ter feito grandes esforços para isso. Como salvar uma simples borboleta e vê-la voar para longe, irradiando vida, sem precisar de palavras.
É saber que está no caminho certo, sem ter a dúvida de mudar o rumo. Como o curso exato de uma cachoeira, as águas correm com força e sem medo de bater nas pedras, porque, por mais que suas moléculas se quebrem, dor ela não sentirá, tendo em vista que, ela dá a oportunidade da existência de vida, mas não a possui.
Contudo, o bem viver, apesar de preencher os espaços da vida, não ocasiona o tamanho deste. A paz que habita o interior de cada ser, é inibida todos os dias, pelo simples ato de passar por uma rua onde há sombras capitalistas, ou pela mera possibilidade de ouvir as proclamações dos portadores de voz da humanidade. Mas, apesar de raro, ele está presente, assim como em um solo onde pisa a discórdia, a dor e o ódio, pode nascer uma flor.