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sábado, 14 de fevereiro de 2009

A sociedade faz um indivíduo, ou o indivíduo faz a sociedade?

A sociedade brasileira, assim como a maioria das sociedades capitalistas, é envolvida por princípios que devem ser respeitados, tais como constituir uma sociedade livre, justa e solidária, e promover o bem de todos sem preconceitos de qualquer natureza.

Logo, se um indivíduo comete um crime, este tem o direito de se defender e, condenado ou não, deve ser tratado com respeito perante as leis humanitárias. Entrementes, sua posição economica é autamente considerada, embora este fato relevante tenha escapado aos humildes legisladores.
Para aqueles que crêem quando Aurélio diz que lugar de convívio social é um meio humano onde um ser está integrado, se pode lamentar informar que nem todos integram-se da mesma forma. A distinção entre aqueles que podem reclamar por não ter dinheiro para levar a família a um bom restaurante, e aqueles que conhecem tanto o restaurante, quanto seus clientes com suas gordas carteiras pesando-lhes no bolso, prontas para serem tomadas, não podem conviver como um todo.
Contudo, estes humano ambivalentes são filhos da mesma nação, que parece ter esquecido seus preceitos igualitários, tornando ainda mais difícil a aplicação da tal Justiça. Portanto, somente quando a diferença social deixar de ser vista como sinônimo de classificação dos que são bons e maus, certos e errados, poder-se-há julgar os que merecem ou não serem condenados por seus crimes.

sábado, 11 de outubro de 2008

É mais fácil acreditar nas coisas ruins, do que insistir nas coisas boas que quase não vemos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Deficiencia social

Pode-se notar que a grande maioria da população brasileira vive em constante descontentamento com o país e com a cidade em que moram ou trabalham. Reclamam e protestam da falta de moradia, precariedade dos serviços públicos, falta de segurança e aumento no número de "marginais" nas ruas.
Porém, o maior problema da sociedade, não é aquele que está visível a ela, mas sim, o que está implícito de diversas formas. Um menino de rua, por exemplo, pode ser um marginal, que fugiu de um lar onde lhe foi proporcionado uma vida digna, por outro lado, ele pode ser alguém que não teve oportunidades e apenas é uma vitima da própria sociedade que o condena. Condenado por não ter quem o oriente, por não ser ouvido por ninguém, por passar fome todos os dias porque todas as portas se fecharam para ele e por só lhe ter restado uma opção, a de se defender da única maneira que sabe, agredindo-a.
Logo, apesar de muito ter sido feito à respeito da solução dessa deficiência social, quase nenhuma questão obteve um melhoramento a ponto de não mais existir, a desigualdade continua a crescer, a violência tende sempre a aumentar, os descontentamentos continuam e como se já não bastasse, a policia está amedrontando a população, uma vez que, o numero de mortes causadas por policiais quase ultrapassa o numero de mortes causadas por traficantes. Sendo assim, é notável que os chefes responsáveis pela melhoria do Brasil, não estão conseguindo se focar no verdadeiro núcleo das questões que abalam a sociedade.
Pois não é dando comida para um, que se extingue a fome em um país, não é criando leis que se ensina a educação, não é proibindo que se mostra o valor. É necessário ver os problemas como um todo, extirpar os limites que existe entre uma camada social alta e uma camada pobre, deixando de lado definitivamente o primitivo pensamento de que os considerados fortes, tem poder sobre os fracos, quando na verdade, são os fracos que moldam o meio de convívio destes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cada dia



Vou dormir uma noite inédita e ter um sonho real, pois a realidade é que é um sonho, onde falamos o que queremos, fazemos o que devemos e vivemos porque aprendemos. Já nos sonhos, tudo sim é espontâneo, surge além do nosso controle e lá, somente lá, vive-se por viver.
Dizem que é comum confundir sonhos com realidade, mas a verdade é que se confunde a realidade com sonho. Quando se acorda pela manhã, na verdade, se está indo dormir e deixando o verdade 'eu', aquele que age sem razão, profundamente inconciente dentro de si.
Logo, terá um dia propenso a muitas coisas, uma vez que pode ser bom e quente, ou chato e frio, e até mesmo chato e quente, ou bom e frio, tudo depende da vontade do tempo e do que se faz com ele, mas sempre haverá previsões. E sempre se viverá cumprindo planos e obedecendo as leis invisiveis do planeta, extinguindo aqueles momentos que acontecem inesperadamente e sem motivo algum.

Dormirei uma noite que ainda não existe, pois só irá existir quando eu estiver dormindo, fazendo de uma vez por todas, de forma conciente o que mais desejo, e não desejaria se estivesse inconciente.
Óh! Tudo se torna confuso para aqueles que buscam exatidão, pois esta não existe. De ambiguidade é feito o mundo e são ambiguos todos os que vivem nele. Pois tudo que é, pode não ser, ao passo que pode tornar-se. Portanto acordar, pode ser dormir e dormir, pode ser viver, mas o que importa mesmo, é agarrar cada minuto do tempo, seja acordado, ou dormindo, sendo verdadeiro, ou sendo outro. Pois para tudo há dois lado, mas para cada um, há apenas uma escolha.

sábado, 30 de agosto de 2008

Descritividade

Fechou a porta do quarto sem nenhum barulho, a maçaneta prata em formato de concha, adornada com minúsculos desenhos dourados, estava quente ao seu toque. Virou-se lentamente para o ambiente, sorriu para a cama de casal muito bem arrumada, com uma colcha lilás perfeitamente bordada. Descansavam sobre ela, cinco belas almofadas, também encapadas por um pano bordado, mas desta vez, tão branco que reluzia a fraca luz do sol que entrava pela fresta da janela aberta à direita. Em baixo desta havia uma convidativa poltrona sem encosto, para que se pudesse olhar com conforto, por horas, para os magníficos jardins que estavam além da janela. Tirou os sapatos e deu seis passos a frente e três para a esquerda, sentindo a maciez do tapete que se esticada no centro do cômodo, era branco, mas seus desenho era inteiro lilás, pássaros que voavam sob um campo, no qual a imaginação permitia dizer que era verde. Olhou em direção a porta entreaberta do closet, dava-lhe arrepios, de seu interior parecia que, a qualquer momento, olhos iriam cintilar em meio a escuridão.
Dois longos minutos se passaram, nos quais ela encarou a sombra com olhos atentos e arregalados, parecia estar pregada no chão por um medo invisível até que, uma onda de coragem e determinação fervilhou em seu interior, fazendo-a correr e fechar aquela porta fria sem exitar. Passou tão rápido, que não notou a escrivaninha branca ao lado direito da porta, onde uma grande quantidades de enfeites de louça haviam sido derrubados, por algum estranho e desconhecido motivo.
Um calafrio lhe atingiu a espinha, segurou com mais força o trinco do closet, como se esperasse que alguma coisa, ou alguém, lutasse do lado de dentro para reabri-la. Respirando fundo, voltou-se para o quarto, dando alguns passos em direção aos raios de sol, sentindo o calor voltar ao corpo; como se um velho amigo lhe estivesse abraçando. Virando-se para a parede a sua direita, sentou se na bela e estofada cadeira de uma luxuosa penteadeira. A madeira branca era suave e lustrosa, em cima desta, havia uma coleção de cremes e perfumes, além de acessórios para o cabelo e maquiagens. Pegou com carinho uma escova de metal, fabricação única, feita especialmente para sua dona, com uma rosa perfeitamente desenhada, como se uma caneta tivesse talhado o material frio e brilhante, o caule descia por todo o cabo dela, e inscrições diziam: "A perfeita, para a mais bela".
Mergulhada em pensamentos, se sobressaltou quando a porta do closet a sua esquerda se abriu bruscamente, seu coração disparou quando reconheceu o homem que caminhava para ela, e um arrepio lhe dominou ao notar o que trazia nas mãos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Alberto Caeiro

"Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte,
empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."

" Que pena que tenho dele!
Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros..."

domingo, 24 de agosto de 2008

Change


E todos os dias os planos se vão; se perdem nas horas, provando que o tempo me trai. A verdade é que estou presa a uma dimensão oculta a todos; presa em mim, me prendi em algum dos meus refúgios, para fugir da monotonia do mundo, ou simplesmente, provar o novo, quando este me escapas às mãos.
Ambiguidade é o que se encontra quando me olha a fundo; minhas palavras são inúteis, morrem diversas vezes todos os dias, ficando submersas em sentimentos que se prendem dentro do meu ser. A culpa não é minha, é de uma outra que existe em mim.
Travamos uma luta diariamente, ela está me roubando, engolindo meus pensamentos, minhas palavras... extinguindo meu dom, ou simplesmente, tomando-me. "Pare. Volte. Siga em frente", mensagens ecoam em minha mente; de onde vem? Não sei.
Luta dura e injusta, poderia ficar parada por um dia inteiro, pensando, viajando, explorando meu mundo imperfeito que é perfeito, querendo mais de mim, mais da vida. Consumindo as horas, os minutos... os segundos.
Custa-me muito tomar decisões, determinação, onde está você? Certamente, segue ao meu lado, amiga fiel; mas só me ajuda quando minha meta tem um propósito. E meus propósitos, se foram a muito tempo, sem dar tchau por sinal, me entristece. Onde procurá-los? pergunto-me sempre.
Minha unica prisão, reside em mim e me detém. Meus medos não são meus, recuso-os, não preciso deles. Meus desejos, se provam desejos. A realidade, está diante de meus olhos fechados.
Abri-los? Pergunto-me porque deveria.